E a sessão "viagem do inferno" não poderia ficar parada por muito tempo né!?! Eu nunca entrei em tanta adrenalina por medo de um acidente como foi dessa vez. O ônibus, como já suspeitávamos antes mesmo de ver o bendito, era mais um ônibus de camponeses e mineiros mascadores de coca e dessa para completar o motorista parava em todas as esquinas de Sucre pegando passageiros para sentarem no CHÃO do ônibus!!!
Aquele cheiro de coca e suor estavam me fazendo ver estrelas e pra piorar dessa vez eu estava conseguindo enxergar a estrada, mesmo no meio da noite , e só por ver os precipícios e o louco do motorista a 80km/h naquele asfalto ou falta de, já estava me deixando em desespero e o Joel, o Argentino então, parou de olhar por tanto medo. Mas ruim mesmo, quando eu ficava pálida de medo, era quando caminhões enormes em alta velocidade passava por nós por um fio de não chocar com o ônibus. Não preguei os olhos um minuto sequer!
Mas as 5am chegamos vivos e tremendo como bamboo, o ônibus nos deixou na estrada, a cidade de Samaipata é tão pequena que não tem nem ônibus público, quiçá então terminal rodoviário haha.. caminhamos por uns 15min até chegar no centrinho e lá encontramos uma pousada onde o casal de senhores donos da pousada nos recebeu bêbados hahaha
Dormimos até próximo do almoço e fomos conhecer a cidadezinha e procurar tours pra mim para visitar a coisa do Che, porque o Argentino filho da puta queria ir sozinho xD
Mas, quando vi os precinhos camarada que as agências cobravam pra esse tour, desisti sem mesmo pensar, afinal, quem foi Che? xDDD
Depois de almoçarmos, aliás muito bem almoçados pela primeira vez nessa segunda parte da Bolivia (ô comida ruim desse país g-zuis) voltamos para a pousada dos velhinhos super simpáticos e conhecemos uma outra Argentina, uma senhora de seus 40 e poucos, Silvia, super simpática também e conversa vai e conversa vem, ela disse que estava ali há uma semana e meia, que tinha amado o povoado e que ali tem muitos estrangeiros que de visita a Samaipata se apaixonam pelo povoado e acabam ficando pra morar. Não demorou muito pra eu descobrir o porque de tanto amor, em Samaipata é a única cidade boliviana que você encontrará pessoas desinteressadamente simpáticas e hospitaleiras, amei aquele povoado!
Como a Silvia já estava a bastante tempo ali, ela já sabia tudo sobre o que visitar e mesmo como visitar sem agências turisticas, então combinamos de no dia seguinte visitarmos as Ruinas El Fuerte, ruínas arqueológicas Pré Incas.
Durante a manhã toda visitamos as ruínas, para quem gosta de história e arqueologia, ali é bem interessante principalmente pelo misterio envolvido já que não se sabe muito sobre o lugar, como tudo que é arqueológico na Bolívia :P
Depois de quase 10km que andamos desde as ruínas até o povoado de regresso (graças ao Joel ¬¬), mortas, a Silvia e eu fomos a um restaurante de comida Brasileira que encontramos em Samaipata (cidade com pouco mais de mil habitantes, isso foi o máximo haha) e o Joel foi para a pousada.
Ahhh, mais uma vez comi super bem, na verdade, comi a melhor (e mais barata) feijoada da minha vida na Bolívia hahaha. O dono do restaurante era um senhor do MS que se mudou pra cidadezinha com a família enquanto a filha maior estudava em Santa Cruz, um senhor mega simpático também e um típico brasileiro do campo e eu que desde Arequipa, no Peru, que não encontrava com brasileiros e já estava morrendo de saudade das minhas terras indígenas, adorei voltar a falar português finalmente. Tanto que a cada 4hr eu dava um pulo na casa do senhor pra comprar caldo de cana, mas hoje acho que isso era desculpa pra falar em português hahaha
A noite sai com a Silvia pra comer pizza e lá decidimos então, ir a manhã seguinte a Las Cuevas, três cachoeiras a 18km dali.
Bem cedo pegamos um taxi e chegamos ao local que pelas fotos era um lugar bom para nada e etc, mas na verdade, era bom só para tirar fotos, não dava para nadar. Exploramos um pouco o local, tiramos várias fotos e ficamos apreciando a paisagem por um bom tempo, mas antes do almoço voltamos porque eu precisava ir a Santa Cruz ainda naquela tarde.
Pra variar, fomos almoçar no restaurante brasileiro e a saudade de casa era tanta, que comprei uma garrafa de 2lts de caldo de cana pra levar pra Santa Cruz (cheguei em Santa Cruz com a garrafa vazia :P).
Me despedi da Silvia, a Argentina mais brasileira que eu rs, dos senhores fofinhos da pousada e da dona de uma agência de turismo e loja de artesanatos que acabei fazendo amizade, por serem tão simpáticos e sorridentes. Em três dias no povoado já conhecia todos do comércio praticamente rs.
E peguei o taxi rumo a Santa Cruz, o qual felizmente pode sair, pois havia rumores de que haviam manifestações pelo tal do "Azucarazo" (aumento abusivo do preço do açúcar) e as estradas estavam fechadas. Mas, felizmente a manifestação aconteceria dois dias depois da minha estada na região.
De Samaipata a Santa Cruz são só 3 horas, e as paisagens são repletas de côndores sobrevoando as montanhas de vegetação tropical é realmente muito linda, tudo em Samaipata me fazia sentir como no Brasil. Em Santa Cruz, não fiz nada de especial durante os dois últimos dias da viagem. Eu já estava cansada e exausta de viajar, mas fiz questão de comer tudo o que era típico do país ou região e conversar bastante com o povo local. No meu último dia choveu muito, parecia até algo triste como despedida. A noite peguei meu vôo tão desejado pra casa. :)
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