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30/03/2011

La bella Samaipata e o fim da viagem

E a sessão "viagem do inferno" não poderia ficar parada por muito tempo né!?! Eu nunca entrei em tanta adrenalina por medo de um acidente como foi dessa vez. O ônibus, como já suspeitávamos antes mesmo de ver o bendito, era mais um ônibus de camponeses e mineiros mascadores de coca e dessa para completar o motorista parava em todas as esquinas de Sucre pegando passageiros para sentarem no CHÃO do ônibus!!!

Aquele cheiro de coca e suor estavam me fazendo ver estrelas e pra piorar dessa vez eu estava conseguindo enxergar a estrada, mesmo no meio da noite , e só por ver os precipícios e o louco do motorista a 80km/h naquele asfalto ou falta de, já estava me deixando em desespero e o Joel, o Argentino então, parou de olhar por tanto medo. Mas ruim mesmo, quando eu ficava pálida de medo, era quando caminhões enormes em alta velocidade passava por nós por um fio de não chocar com o ônibus. Não preguei os olhos um minuto sequer!
Mas as 5am chegamos vivos e tremendo como bamboo, o ônibus nos deixou na estrada, a cidade de Samaipata é tão pequena que não tem nem ônibus público, quiçá então terminal rodoviário haha.. caminhamos por uns 15min  até chegar no centrinho e lá encontramos uma pousada onde o casal de senhores donos da pousada nos recebeu bêbados hahaha
Dormimos até próximo do almoço e fomos conhecer a cidadezinha e procurar tours pra mim para visitar a coisa do Che, porque o Argentino filho da puta queria ir sozinho xD
Mas, quando vi os precinhos camarada que as agências cobravam pra esse tour, desisti sem mesmo pensar, afinal, quem foi Che? xDDD
Depois de almoçarmos, aliás muito bem almoçados pela primeira vez nessa segunda parte da Bolivia (ô comida ruim desse país g-zuis) voltamos para a pousada dos velhinhos super simpáticos e conhecemos uma outra Argentina, uma senhora de seus 40 e poucos, Silvia, super simpática também e conversa vai e conversa vem, ela disse que estava ali há uma semana e meia, que tinha amado o povoado e que ali tem muitos estrangeiros que de visita a Samaipata se apaixonam pelo povoado e acabam ficando pra morar. Não demorou muito pra eu descobrir o porque de tanto amor, em Samaipata é a única cidade boliviana que você encontrará pessoas desinteressadamente simpáticas e hospitaleiras, amei aquele povoado!
Como a Silvia já estava a bastante tempo ali, ela já sabia tudo sobre o que visitar e mesmo como visitar sem agências turisticas, então combinamos de no dia seguinte visitarmos as Ruinas El Fuerte, ruínas arqueológicas Pré Incas.
Durante a manhã toda visitamos as ruínas, para quem gosta de história e arqueologia, ali é bem interessante principalmente pelo misterio envolvido já que não se sabe muito sobre o lugar, como tudo que é arqueológico na Bolívia :P
Depois de quase 10km que andamos desde as ruínas até o povoado de regresso (graças ao Joel ¬¬), mortas, a Silvia e eu fomos a um restaurante de comida Brasileira que encontramos em Samaipata (cidade com pouco mais de mil habitantes, isso foi o máximo haha) e o Joel foi para a pousada.
Ahhh, mais uma vez comi super bem, na verdade, comi a melhor (e mais barata) feijoada da minha vida na Bolívia hahaha. O dono do restaurante era um senhor do MS que se mudou pra cidadezinha com a família enquanto a filha maior estudava em Santa Cruz, um senhor mega simpático também e um típico brasileiro do campo e eu que desde Arequipa, no Peru, que não encontrava com brasileiros e já estava morrendo de saudade das minhas terras indígenas, adorei voltar a falar português finalmente. Tanto que a cada 4hr eu dava um pulo na casa do senhor pra comprar caldo de cana, mas hoje acho que isso era desculpa pra falar em português hahaha
Quando voltei para a pousada, a senhora me avisou que o Joel havia ido embora, ele tinha ido atrás da rota do Che Guevara, até ai ok, eu já sabia que ele ia partir naquela tarde, mas o chatonildo não deixou nenhum bilhete com e-mail ou saudação, nada. Muito chato isso!
A noite sai com a Silvia pra comer pizza e lá decidimos então, ir a manhã seguinte a Las Cuevas, três cachoeiras a 18km dali.
Bem cedo pegamos um taxi e chegamos ao local que pelas fotos era um lugar bom para nada e etc, mas na verdade, era bom só para tirar fotos, não dava para nadar. Exploramos um pouco o local, tiramos várias fotos e ficamos apreciando a paisagem por um bom tempo, mas antes do almoço voltamos porque eu precisava ir a Santa Cruz ainda naquela tarde.
Pra variar, fomos almoçar no restaurante brasileiro e a saudade de casa era tanta, que comprei uma garrafa de 2lts de caldo de cana pra levar pra Santa Cruz (cheguei em Santa Cruz com a garrafa vazia :P).
Me despedi da Silvia, a Argentina mais brasileira que eu rs, dos senhores fofinhos da pousada e da dona de uma agência de turismo e loja de artesanatos que acabei fazendo amizade, por serem tão simpáticos e sorridentes. Em três dias no povoado já conhecia todos do comércio praticamente rs.
E peguei o taxi rumo a Santa Cruz, o qual felizmente pode sair, pois havia rumores de que haviam manifestações pelo tal do "Azucarazo" (aumento abusivo do preço do açúcar) e as estradas estavam fechadas. Mas, felizmente a manifestação aconteceria dois dias depois da minha estada na região.


De Samaipata a Santa Cruz são só 3 horas, e as paisagens são repletas de côndores sobrevoando as montanhas de vegetação tropical é realmente muito linda, tudo em Samaipata me fazia sentir como no Brasil. Em Santa Cruz, não fiz nada de especial durante os dois últimos dias da viagem. Eu já estava cansada e exausta de viajar, mas fiz questão de comer tudo o que era típico do país ou região e conversar bastante com o povo local. No meu último dia choveu muito, parecia até algo triste como despedida. A noite peguei meu vôo tão desejado pra casa. :)



Sucre, cidade nem tão branca assim.

Estava tão aliviada de ter deixado Oruro, mas ao mesmo tempo estava preocupada com o que ainda restava na minha viagem, aliás eu só tinha mais uma semana antes de voltar ao Brasil.

A viagem até Sucre foi bem tranquila, nem parecia que eu estava na Bolivia rs, cheguei na cidade as 5am e fui atrás de um taxi, nisso o taxista me pergunta se ele poderia levar mais alguém e eu concordei (em alguns lugares isso é bem comum), nisso um Argentino que estava no mesmo ônibus que eu, entrou e ai começamos a conversar e no final ele resolveu me acompanhar no hostel que eu ia conforme indicação do Loonely Planet (que dessa vez existia).
Dormi até o almoço e ai fui andar um pouco pelas redondezas. A cidade estava cheia de turistas, o que percebi conforme os folhetos de turismo boliviano é que em Sucre, é onde os estrangeiros costumam ir para estudar espanhol, então era bem comum ver gringos com livros saindo de escolas de idiomas (há várias). Depois de andar pela praça o Joel lembrou do tal cemitério "lindo" de Sucre, então fomos visitar o lugar, bem não há nada de especial no cemitério, a única diferença é que no caminho principal há várias árvores em formato de cone bem podadas, mas os túmulos em si são comuns e não há nenhum morto famoso lá. 

Dai o Joel começa a me dizer que estava em Sucre só como passagem mesmo para La Higuera, cidadezinha onde Che Guevara foi assassinado e ele como um super fã de Che Guevara queria muito visitar, então ele ia ao terminal para comprar sua passagem para o dia seguinte. Nisso, me dei conta de que visitar o tal lugar poderia ser bem interessante, apesar de não ser uma fã do Che e tampouco saber muito sobre sua história, era ao menos melhor do que meu plano de ficar quatro dias em Sucre onde não se tem muito o que fazer, mas em contrapartida o tal Argentino não era lá alguém muito simpático para se viajar com e também um pouco pão duro demais. Anyway o acompanhei ao terminal para decidir lá o que eu faria, no fim das contas comprei passagem para acompanhá-lo a Samaipata, penúltima cidade onde Che Guevara esteve antes de morrer.
A noite eu queria fazer algo, ir a algum show de salsa ou mesmo ir a algum bar só pra beber, mas o tal Argentino chato acabou me dando um perdido indo pra uma Lan House, dai perdi o ânimo e fui dormir super cedo. 
Acordei no dia seguinte com a idéia de trocar meu bilhete a Samaipata para não ter que estar com o tal chatonildo, mas ele acordou de menos chato esse dia, então fomos fazer uns tour obrigatórios de Sucre antes de partirmos para a tal cidadezinha. Fomos ao mirante da Recoleta e depois ao tal Castelo de la Glorieta, um castelo interessante pra sulamericano que nunca viu um castelo na vida, massss os donos do lugar não tiveram nenhuma grande importância ao país, de forma que ofuscou um pouco a tal grandiosidade do castelo :P



Sucre é a capital Administrativa da Bolívia que não suporta o fato de o Legislativo estar em La Paz, é uma cidade com quatro nomes (pensa num povo indeciso) e um desses nomes é "Ciudad Blanca", pela obrigação dos prédios comerciais terem de pintar seus estabelecimentos de branco todo ano (mas não vi muito isso), aliás Sucre junto com Santa Cruz e Beni querem autonomía da Bolívia, isto é, querem ser um outro país e isso você percebe a cada esquina. Mais preconceitos, como de prache é da Bolívia.
Depois de visitar o Castelo, voltamos para o hostel só para pegar nossas mochilas e seguimos ao terminal para nosso próximo destino, Samaipata.
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