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31/03/2011

Bolíviaaa, dicas para mochileiros!

Ler meus relatos pra tirar algumas dicas pode ser uma boa, mas também seria meio trabalhoso e tedioso demais ler história de viagem de uma pessoa a qual você nem conhece né?!?!
Então, vou resumir aqui só com dicas que eu realmente acho válido para os próximos viajantes deste destino saberem.
Se alguém quiser saber sobre algo específico que eu não tenha postado aqui (antes procure bem hein), deixe seu comentário com a pergunta e seu e-mail para que eu responda =)

Dinheiro:  
Dólar!!! Não leve reais, se você levar facilmente conseguirá trocar por bolivianos, mas a cotação deles para reais é horrível. Eu levei reais e perdi muito dinheiro. Se você vai trocar dinheiro, seja reais ou dólares, troque na cidade de Santa Cruz, se possível. Foi a única cidade que tinha cotação justa, eu troquei pouco dinheiro quando cheguei lá e me arrependi horrores conforme ia trocando dinheiro nas outras cidades.
Visa Travel Money, eu particularmente não gosto porque não gosto de pagar taxas ridiculas como por exemplo US$2,50 a cada saque. Mas pra quem não está acostumado a viajar, esse é um meio seguro de se ter dinheiro.

Companhias de ônibus: 
Bolívar - Copacabana
O transporte terrestre Boliviano é mais completo que o Brasileiro em números de empresas e oferta, mas são realmente muito poucas as companhias que irão te oferecer algum conforto e pouco cheiro de coca no ônibus. Normalmente os preços de viagens dessas companhias saem BO$15 mais caro que as outras, mas lembre-se que BO$15 são menos que BR$5 e isso fará com que você tenha um pouco mais de segurança e conforto.

Comida:
Algo muito típico na Bolivia é comer frango frito, batata frita e arroz branco com ketchup e mostarda, você verá isso em restaurantes chamados de Broasteria/Broaster, esse será o lugar onde você comerá ao menor preço possível (BO$ 12). Mas a higiene desses lugares é muito precária, não acho que valha a pena economizar tanto na hora de comer e depois perder dias de viagens com intoxicação alimentar e ter gastos com medicamentos. Há vários lugares que você poderá comer bem e a um bom preço (cerca de BO$ 25). Na Bolivia, preço diz muito, então pague um pouco mais para comer.

Compras:
Em La Paz, compre tudo o que você quiser, principalmente de artesanato. Há mais opções, há mais poder de negociação e as coisas são beeem mais baratas que em outras Províncias.

Cochabamba

Hospedagem: Não recomendo a pousada que fiquei porque está meio longinho da praça onde rola a vida noturna.

Passeios:

Além dos habituais dos guias, se possível visite o Parque Ecológico Tunari. Está em uma cidade vizinha, é possível ir de ônibus público e em 30 minutos você chega. Lá tem três cachoerias, espaço para camping gratuito e churrasqueiras. O lugar era uma antiga zona de minas, então dá até pra entrar nos túneis abandonados e talz. Eu curti muito! 

♠  La Paz

Hospedagem: esqueci o nomel do hostel que fiquei uma noite, o resto foi pelo CouchSurfing.

Passeios:
Tiwanaku:
ruínas arqueológicas pré inca. Pra quem gosta de história e ruínas é uma opção bacana, mas por desastres naturais e descuido do governo boliviano o lugar deixa um pouco a desejar. Eu paguei o dobro porque estava na época do tal Gasolinaço, mas o preço em média é de BO$60.
Chacaltay:
pra brasileiro que nunca viu neve na vida esse passeio é mais que obrigatório, mas para aqueles que já estiveram em picos nevados esse será só mais um. Eu fui e amei, porque foi meu primeiro contato com neve e também porque foi legal a sensação de estar em uma das montanhas da Cordilheira dos Andes. Mas atente-se época do ano que você vai, pois neve mesmo é só durante o mês de janeiro!!! Eu paguei o dobro porque estava na época do tal Gasolinaço, mas o preço em média é de BO$60.
Valle de la Luna:
é o pós passeio do Chacaltay (2 tours em 1). Eu não fui, estava com meus pés todo molhados e morrendo de frio, então pedi pra ficar na cidade. Pelas fotos, é bem bonito o lugar.
Downhill/ Death Road/ Ruta de la Muerte:
é um passeio feito de bicicletas, pouco feito por brasileiros. Eu não fiz porque fazia doze anos que não subia em uma bicicleta, então preferi não fazer. Conheci várias pessoas que fizeram e todos os comentários foram o mesmo "Adorei, adrenalina a mil, mas não faria isso duas vezes, é muito perigoso" e também conheci pessoas que se acidentaram feio. Então pense bem antes de fazer esse tour. A paisagem é linda, mas você pode ir de carro! O passeio é feito em grupo, se você está sozinho pagará muito caro (BO$ 800), arrume um grupo e divide esse valor por todos.
Na cidade: além das coisas habituais que qualquer guia indicará, acho legal uma visita a zona sul da cidade. É bem diferente ali, além de ter paisagens incríveis.

Copacabana e Isla del Sol

Hospedagem:
Copacabana: não dormi na cidade, mas tenho boa indicação do hostel Ojos del Titicaca.
Isla del Sol: não recomendo o hostel que eu fiquei, sem conforto e sem água quente para banho.

Em Copacabana aos sábados, vá até a igreja principal, você reparar que estará cheio de veículos e entre eles um padre benzendo os veículos. Isso acontece todos os sábados conforme a crença local.
De Copacabana a ilha você paga cerca de BO$ 15 e vai de catamarã, são 1:30min de uma viagem com lindas paisagens, mas super cansativa.
Na Isla del Sol há uma trilha de quatro horas para o lado norte da ilha, eu não fiz, mas dizem que é muito lindo.
Se você for pra lá no reveillon, vai ficar sabendo ainda em La Paz sobre uma rave para gringos que rola na ilha e custa cerca de BO$70, nao compre em La Paz. Espere a festa começar e veja se vale a pena a tal festa. A maioria não paga e fica do lado de fora curtindo da mesma forma já que a festa não é em local fechado. Eu não paguei e ainda entrei :P

Uyuni

Hospedagem: fiquei em uma pousada boa, nova e confortável, além de barata. Mas o atendimento depois que você faz o check out é ridículo, te tratam mal. Não vou recomendar, lá tem vários hostels, você se vira bem sem ter indicações.

Passeios: o Salar de Uyuni hohoho, sério, não tem nada na cidade além do tal salar. Mas se você tiver afim de explodir umas minas, pode ir pra Potosí, há duas horas de Uyuni visitar umas minas e pagar BO$15 pra explodir uma bomba :P
Há passeios de 3 e de 1 dia em Uyuni, evite o mês de fevereiro porque chove muito e alguns pontos de visita ficam impossibilitados para tal por estarem alagados. Custo de BO$650 com pechincha para 3 dias e BO$100 para um dia.

Oruro

Hospedagem: não existe hostel na cidade, o único que tinha estava fechado para reformas. Deixo dados aqui para que você averigüe antes de chegar na cidade.
Hostel Pub the Alpaca - Calle La Paz, 690 (BO$ 40), f: 5275715 # 5232707

Passeios:
Se você não vai pra Oruro na época de carnaval, então nem vai, mas se você for teimoso como eu e for. Bom, além da cidade chata e morta tem umas termas na cidade, você pode ir de ônibus públicos, uns 30min e paga BO$ 15.

Sucre

Hospedagem: fiquei no Hostel Amigo - Calle Cólon, 125 (BO$ 38) e gostei, apesar de não ter nada demais. Mas além dessa indicação que peguei no guia Loonely Planet, tinha também, Alojamiento San Marcos - Calle Arce, 233 (BO$ 40) e Hostelling International - Calle Guillermo Loayza, 119 (BO$ 38).

Passeios:
Vá ao Castelo de la Glorieta, vale a pena a visita e você pode ir com ônibus público em 25min, são 15km fora de Sucre e a visita guiada custa BO$25. Sucre oferece passeios as minas em Potosí (há duas horas dali) e também passeios a Samaipata (há 10 horas dali). Nenhum dos dois vale a pena fazer com agências contratadas em Sucre, vá para as cidades do passeio que desejar e contrate os serviços lá.

Samaipata

Hospedagem: Pousada Vargas (BO$ 25), limpo e confortável, além de o casal donos do lugar serem uns fofos de simpatia.

Passeios: há vários passeios lá e todos eles podem ser feitos sem agência, mesmo porque com agência cobram absurdos já que não há tanta procura então os tours são quase particulares. Eu fui as ruínas El Fuerte (BO$ 50 entrada sem guia) e as cachoeiras Cuevas (BO$ 10 entrada), para ir você pega carona nos ônibus que passam na estrada, te cobram BO$ 20.
Aos fãs do Che Guevara podem visitar os locais onde ele foi assassinado, mas não fica perto dali. Você tem que pegar um ônibus na estrada sentido Sucre e pegar carona, são três horas de viagem e você paga BO$ 20, a cidade chama-se La Higuera. O tour com agência custa BO$ 1000, mas esse valor pode ser dividido em até 7 turistas, mas nunca há o suficiente pra raxar o tour =/

Samaipata é uma cidadezinha de turismo nacional, fica dentro do Estado de Santa Cruz. Nos guias turisticos não se fala dessa cidade, mas foi a cidade que mais gostei e altamente recomendo que você a visite.

Santa Cruz de la Sierra

Hospedagem: Backpacker Santa Cruz Hostel - Calle Irala, 696 (BO$ 30)
Passeios: as agências te oferecerão passeios em Samaipata, vale a pena ir por conta própria. A cidade de Santa Cruz não tem muito o que oferecer para o turísta, sempre que eu pedi alguma sugestão de passeio me indicavam o zoológico e a piscina pública (+/- um sesc Itaquera de SP).
De toda a Bolivia, ali foi o único lugar que comi bem, comida saborosa. Afinal, o clima ali é tropical e não andino.

Importante:  muitos brasileiros compram vôos para Santa Cruz, já que é mais barato. Na chegada você não paga nada, mas no vôo de volta você tem que pagar a taxa de utilização do aeroporto que custa nada mais, nada menos que US$ 60, repare que to falando de dólares, não de bolivianos. Eu fui pega desprevenida, dizem que isso está escrito no contrato na compra da passagem, mas eu não li, então nem discuti.

Enfim, é isso que julgo importante como dicas. É claro que tenho mais um monte de informações pra passar, mas se seguimos um roteiro minucioso, sem dar margem ao erro, quais experiências próprias você terá?
É importante ter sugestões, mas não segui-las como único meio de se ter uma viagem boa e segura!!!



30/03/2011

La bella Samaipata e o fim da viagem

E a sessão "viagem do inferno" não poderia ficar parada por muito tempo né!?! Eu nunca entrei em tanta adrenalina por medo de um acidente como foi dessa vez. O ônibus, como já suspeitávamos antes mesmo de ver o bendito, era mais um ônibus de camponeses e mineiros mascadores de coca e dessa para completar o motorista parava em todas as esquinas de Sucre pegando passageiros para sentarem no CHÃO do ônibus!!!

Aquele cheiro de coca e suor estavam me fazendo ver estrelas e pra piorar dessa vez eu estava conseguindo enxergar a estrada, mesmo no meio da noite , e só por ver os precipícios e o louco do motorista a 80km/h naquele asfalto ou falta de, já estava me deixando em desespero e o Joel, o Argentino então, parou de olhar por tanto medo. Mas ruim mesmo, quando eu ficava pálida de medo, era quando caminhões enormes em alta velocidade passava por nós por um fio de não chocar com o ônibus. Não preguei os olhos um minuto sequer!
Mas as 5am chegamos vivos e tremendo como bamboo, o ônibus nos deixou na estrada, a cidade de Samaipata é tão pequena que não tem nem ônibus público, quiçá então terminal rodoviário haha.. caminhamos por uns 15min  até chegar no centrinho e lá encontramos uma pousada onde o casal de senhores donos da pousada nos recebeu bêbados hahaha
Dormimos até próximo do almoço e fomos conhecer a cidadezinha e procurar tours pra mim para visitar a coisa do Che, porque o Argentino filho da puta queria ir sozinho xD
Mas, quando vi os precinhos camarada que as agências cobravam pra esse tour, desisti sem mesmo pensar, afinal, quem foi Che? xDDD
Depois de almoçarmos, aliás muito bem almoçados pela primeira vez nessa segunda parte da Bolivia (ô comida ruim desse país g-zuis) voltamos para a pousada dos velhinhos super simpáticos e conhecemos uma outra Argentina, uma senhora de seus 40 e poucos, Silvia, super simpática também e conversa vai e conversa vem, ela disse que estava ali há uma semana e meia, que tinha amado o povoado e que ali tem muitos estrangeiros que de visita a Samaipata se apaixonam pelo povoado e acabam ficando pra morar. Não demorou muito pra eu descobrir o porque de tanto amor, em Samaipata é a única cidade boliviana que você encontrará pessoas desinteressadamente simpáticas e hospitaleiras, amei aquele povoado!
Como a Silvia já estava a bastante tempo ali, ela já sabia tudo sobre o que visitar e mesmo como visitar sem agências turisticas, então combinamos de no dia seguinte visitarmos as Ruinas El Fuerte, ruínas arqueológicas Pré Incas.
Durante a manhã toda visitamos as ruínas, para quem gosta de história e arqueologia, ali é bem interessante principalmente pelo misterio envolvido já que não se sabe muito sobre o lugar, como tudo que é arqueológico na Bolívia :P
Depois de quase 10km que andamos desde as ruínas até o povoado de regresso (graças ao Joel ¬¬), mortas, a Silvia e eu fomos a um restaurante de comida Brasileira que encontramos em Samaipata (cidade com pouco mais de mil habitantes, isso foi o máximo haha) e o Joel foi para a pousada.
Ahhh, mais uma vez comi super bem, na verdade, comi a melhor (e mais barata) feijoada da minha vida na Bolívia hahaha. O dono do restaurante era um senhor do MS que se mudou pra cidadezinha com a família enquanto a filha maior estudava em Santa Cruz, um senhor mega simpático também e um típico brasileiro do campo e eu que desde Arequipa, no Peru, que não encontrava com brasileiros e já estava morrendo de saudade das minhas terras indígenas, adorei voltar a falar português finalmente. Tanto que a cada 4hr eu dava um pulo na casa do senhor pra comprar caldo de cana, mas hoje acho que isso era desculpa pra falar em português hahaha
Quando voltei para a pousada, a senhora me avisou que o Joel havia ido embora, ele tinha ido atrás da rota do Che Guevara, até ai ok, eu já sabia que ele ia partir naquela tarde, mas o chatonildo não deixou nenhum bilhete com e-mail ou saudação, nada. Muito chato isso!
A noite sai com a Silvia pra comer pizza e lá decidimos então, ir a manhã seguinte a Las Cuevas, três cachoeiras a 18km dali.
Bem cedo pegamos um taxi e chegamos ao local que pelas fotos era um lugar bom para nada e etc, mas na verdade, era bom só para tirar fotos, não dava para nadar. Exploramos um pouco o local, tiramos várias fotos e ficamos apreciando a paisagem por um bom tempo, mas antes do almoço voltamos porque eu precisava ir a Santa Cruz ainda naquela tarde.
Pra variar, fomos almoçar no restaurante brasileiro e a saudade de casa era tanta, que comprei uma garrafa de 2lts de caldo de cana pra levar pra Santa Cruz (cheguei em Santa Cruz com a garrafa vazia :P).
Me despedi da Silvia, a Argentina mais brasileira que eu rs, dos senhores fofinhos da pousada e da dona de uma agência de turismo e loja de artesanatos que acabei fazendo amizade, por serem tão simpáticos e sorridentes. Em três dias no povoado já conhecia todos do comércio praticamente rs.
E peguei o taxi rumo a Santa Cruz, o qual felizmente pode sair, pois havia rumores de que haviam manifestações pelo tal do "Azucarazo" (aumento abusivo do preço do açúcar) e as estradas estavam fechadas. Mas, felizmente a manifestação aconteceria dois dias depois da minha estada na região.


De Samaipata a Santa Cruz são só 3 horas, e as paisagens são repletas de côndores sobrevoando as montanhas de vegetação tropical é realmente muito linda, tudo em Samaipata me fazia sentir como no Brasil. Em Santa Cruz, não fiz nada de especial durante os dois últimos dias da viagem. Eu já estava cansada e exausta de viajar, mas fiz questão de comer tudo o que era típico do país ou região e conversar bastante com o povo local. No meu último dia choveu muito, parecia até algo triste como despedida. A noite peguei meu vôo tão desejado pra casa. :)



Sucre, cidade nem tão branca assim.

Estava tão aliviada de ter deixado Oruro, mas ao mesmo tempo estava preocupada com o que ainda restava na minha viagem, aliás eu só tinha mais uma semana antes de voltar ao Brasil.

A viagem até Sucre foi bem tranquila, nem parecia que eu estava na Bolivia rs, cheguei na cidade as 5am e fui atrás de um taxi, nisso o taxista me pergunta se ele poderia levar mais alguém e eu concordei (em alguns lugares isso é bem comum), nisso um Argentino que estava no mesmo ônibus que eu, entrou e ai começamos a conversar e no final ele resolveu me acompanhar no hostel que eu ia conforme indicação do Loonely Planet (que dessa vez existia).
Dormi até o almoço e ai fui andar um pouco pelas redondezas. A cidade estava cheia de turistas, o que percebi conforme os folhetos de turismo boliviano é que em Sucre, é onde os estrangeiros costumam ir para estudar espanhol, então era bem comum ver gringos com livros saindo de escolas de idiomas (há várias). Depois de andar pela praça o Joel lembrou do tal cemitério "lindo" de Sucre, então fomos visitar o lugar, bem não há nada de especial no cemitério, a única diferença é que no caminho principal há várias árvores em formato de cone bem podadas, mas os túmulos em si são comuns e não há nenhum morto famoso lá. 

Dai o Joel começa a me dizer que estava em Sucre só como passagem mesmo para La Higuera, cidadezinha onde Che Guevara foi assassinado e ele como um super fã de Che Guevara queria muito visitar, então ele ia ao terminal para comprar sua passagem para o dia seguinte. Nisso, me dei conta de que visitar o tal lugar poderia ser bem interessante, apesar de não ser uma fã do Che e tampouco saber muito sobre sua história, era ao menos melhor do que meu plano de ficar quatro dias em Sucre onde não se tem muito o que fazer, mas em contrapartida o tal Argentino não era lá alguém muito simpático para se viajar com e também um pouco pão duro demais. Anyway o acompanhei ao terminal para decidir lá o que eu faria, no fim das contas comprei passagem para acompanhá-lo a Samaipata, penúltima cidade onde Che Guevara esteve antes de morrer.
A noite eu queria fazer algo, ir a algum show de salsa ou mesmo ir a algum bar só pra beber, mas o tal Argentino chato acabou me dando um perdido indo pra uma Lan House, dai perdi o ânimo e fui dormir super cedo. 
Acordei no dia seguinte com a idéia de trocar meu bilhete a Samaipata para não ter que estar com o tal chatonildo, mas ele acordou de menos chato esse dia, então fomos fazer uns tour obrigatórios de Sucre antes de partirmos para a tal cidadezinha. Fomos ao mirante da Recoleta e depois ao tal Castelo de la Glorieta, um castelo interessante pra sulamericano que nunca viu um castelo na vida, massss os donos do lugar não tiveram nenhuma grande importância ao país, de forma que ofuscou um pouco a tal grandiosidade do castelo :P



Sucre é a capital Administrativa da Bolívia que não suporta o fato de o Legislativo estar em La Paz, é uma cidade com quatro nomes (pensa num povo indeciso) e um desses nomes é "Ciudad Blanca", pela obrigação dos prédios comerciais terem de pintar seus estabelecimentos de branco todo ano (mas não vi muito isso), aliás Sucre junto com Santa Cruz e Beni querem autonomía da Bolívia, isto é, querem ser um outro país e isso você percebe a cada esquina. Mais preconceitos, como de prache é da Bolívia.
Depois de visitar o Castelo, voltamos para o hostel só para pegar nossas mochilas e seguimos ao terminal para nosso próximo destino, Samaipata.

29/03/2011

Em Oruro.. O diabo veste casaco de leopardo!!

Uma viagem de Uyuni a Oruro normalmente são 6 horas, mas não nessa noite em que resolvi ir pra lá, 16 horas de um viagem infernal!!!


Mais uma vez me ferrei com a companhia de ônibus, eu era a única gringa no meio de um monte de camponeses e mineiros bolivianos mascadores de coca, na primeira hora de viagem algo quebrou no ônibus, sem iluminação em um lugar frio pra caramba e ônibus sem luzes, uma hora para consertar o ônibus. Seguimos por mais 40 minutos e o ônibus para novamente, uma peça de algum lugar soltou, mais 30 minutos para repor a peça. Seguimos viagem e em 30 minutos paramos de novo e agora era pior, havia chovido muito e um rio que havia em frente estava transbordando (lá não existe canais em rios, imagine a cena então), dois ônibus que haviam tentado passar atolaram e todos seus passageiros tiveram que descer na água então, todos os outros ônibus (uns 20) resolveram esperar, e ai mais 7 horas parados/ dormindo a espera do rio baixar. Na manhã, todo o ônibus desceu, foram TODOS fazer xixi em frente ao ônibus, foi a coisa mais bizarra da vidaaaa (pior que ver a chola fazendo número 2 em La Paz haha) e eu morreeeendo de vontade de fazer xixi, não conseguia encarar o jeitinho boliviano, segurei segurei segurei até que não aguentava mais ai desci pra procurar um lugar escondido.. mas não tinha!!! Dai desisti de fazer xixi e voltei para o ônibus suando frio.
Um pouco depois os ônibus começam a tentar sair, nisso todos os passageiros tiveram que descer o ônibus e atravessar o rio a pé para que o ônibus não atolasse, mais uma vez imaginem a cena from hell :(
Atravessamos felizmente sem acidentes, e a partir dai seguimos viagem normal agora, masss eu ainda não tinha feito xixi e já estava fria e pálida, tanto que uma senhora me perguntou se eu estava bem e se eu queria um MACINHO DE COCA!!! Quase mandei ela enfiar aquela coca no c* aquela hora, de tão tensa que eu estava, tadinha rsrs
Quando eu estava pra desmaiar ou fazer xixi nas calças, paramos felizmente em um restaurante de estrada. Até doeu pra fazer xixi, mas nunca me senti tão feliz e aliviada!!! :)


Algumas horas depois cheguei em Oruro, dai peguei um taxi e pedi para ele me deixar em um hostel que eu tinha pego pelo Loonely Planet, só que o taxista não encontrava o hostel, então pedi pra ele me deixar em qualquer hostel perto da praça principal e foi quando ele me disse que isso não existia ali o.O
Parei na praça principal e fui a uma banca de jornal perguntar sobre o tal hostel que eu tinha o endereço ou se ele podia me indicar qualquer outro, antes do senhor abrir a boca me aparece uma senhora de 1,50mt com um casaco de leopardo toda maquiada dizendo que o Hostel Alpaca que eu procurava era de seu amigo e tals, e ai pediu pra eu acompanha-la até o telefone público que ela ligaria lá pra mim. Fui e, bem, o ÚNICO hostel da cidade estava fechado para reformas dai a senhora pegou no braço e disse pra eu acompanhá-la que ela iria me ajudar a encontrar uma hospedagem econômica porque ali perto da praça só tinha hoteis 5 estrelas. Eu não estava entendendo nada, tampouco tinha energias pra discutir com ela, então simplesmente comecei segui-la rua acima e rua abaixo com a mochila nas costas. Encontramos 3 pousadas que pareciam mais casa de prostitutas da São João em SP rs e não tinha banheiro privado ou chuveiro quente, quando eu já estava pra desistir de procurar algo econômico e ir a algum dos hoteis 5 estrelas a tal senhora começa a dizer que mora sozinha e que tem uma cama disponível e que talvez fosse bom ela ter uma companhia porque ela tinha gostado do que "meus olhos diziam" (aloca!), enfim ela me convidou pra ficar na sua casa. Olhei pra ela e achei estranho aquilo, mas lembrei que eu teria que pagar no mínimo US$150 numa hospedagem em uma viagem como mochileira, então não pensei uma segunda vez e aceitei o convite da senhora.

Ao entrar na sua casa me deparo com vários tapetes em forma de pé xD e claro, não estavam ali para enfeite, era para ser usado.. pisávamos nos pés de tapetes e iamos arrastando os pés para se movimentar hauahaua. Eu ia dormir na sua cozinha que estava em reforma na verdade, dai ela foi na rua e chamou um senhora que estava a paisana para ajuda-la com a cama, mas estavamos no terceiro andar da casa e a cama, uma cama do exército de ferro de uns 80kgs no porão o.O mais uma vez, imagine a cena eu e o rapaz tentando subir a cama SEM sujar o chão da senhora do casaco de leopardo!!!!
Enfim, montamos a cama, ela limpou e arrumou tudo e ai nem parecia mais uma cama do exército de 80kgs, naquele momento eu comecei a pensar em "onde é que to me metendo", mas ela estava sendo gentil, então tentei ver tudo da melhor forma possível, mas isso durou pouco. Estava arrumando minhas coisas para ir tomar banho e vi que não tinha mais roupas limpas, então perguntei ingenuamente se ela conhecia alguma lavanderia pra eu deixar minhas roupas, até hoje me pergunto o porque eu fiz essa pergunta pra ela. "Uma mulher de verdade jamais deixa suas roupas em lavanderia, ela as lava a mão, no tanque" foi a resposta!
Fui para o banheiro com uma bacia na mão com as roupas sujas, ela mandou eu colocar a bacia embaixo do chuveiro enquanto tomava banho (oi??? xD)
Após o banho, mal coloquei a roupa no corpo ela coloca uma toalha pequena no meu cabelo e diz pra eu ir pro tanque e não tirar a toalha da cabeça pra não tomar friagem.. e eu de novo abro a boca pra falar uma estupidez "mas não sei fazer isso, nunca fiz" e ela? "é fácil, te ensino agora!"... a partir daí comecei a pensar seriamente em sair da casa da senhora de casaco de leopardo, mas já era tarde demais, seria mancada sair dali para ir a algum hotel a essas alturas do campeonato.
Eram no total 7 peças de roupas que ela me fez lavar 4 vezes, porque as 3 primeiras eu não tinha lavado direito conforme ela (apesar que concordo rs), quase duas horas no tanque a mais de 3mil metros de altitude cansada de uma viagem do inferno, sem dormir e agora com frio. Minhas mãos estavam inchadas e minhas costas travadas de dor.
Quando terminei ela pediu pra eu me agasalhar porque iamos sair, me agasalhei e quando ela me viu "você não vai só com essa roupa, pode por luvas e mais uma meia" (e eu já me sentia um esquimó com tanta roupa, mas enfim). Fomos dar uma volta na cidade, passamos na estação ferroviária, no mercado central que já estava fechando mas ela fez questão de que eu comece "pastel de queso especial e Api", duas coisas horríveis que ela me forçou a comer e beber tudo, quase vomitei com o tal api, sem contar o medo de ficar com intoxicação alimentar depois, afinal, em mercado central na Bolivia não se brinca (tampouco se come haha), e depois andamos a toa na praça principal conversando sobre sua vida e também parando a cada esquina pra falar com alguém dali, porque ela simplesmente conhece todo mundo na cidade (professora de escola pública dá nisso rs).
Voltamos para casa e ai ela começou a preparar café e chá, uma caneca de chá pra ela e uma caneca de 350ml cheia de café para a brasileira, porque brasileiros tomam muito café, foi o que ela me disse. Dor na barriga na certa após essa quantidade de café, claro.
Depois disso tomei um analgésico e fui dormir chorando (de verdade) de dor e de vontade de voltar pra casa. (hoje quando lembro disso dou risada, mas no dia eu tinha pena de mim mesma haha).

Dormi bem, acordei cedo com ela na cozinha fazendo mais café pra brasileira aqui, mas dessa vez antes dela colocar o café na caneca, falei com voz ríspida de que iria beber só um pouco e nada mais, ela me olhou estranho, mas entendeu o recado :P
Esse dia ela me usou pra desfilar na cidade,  primeiro fomos a escola pública brilho dos olhos da cidade e também escola onde muitos dos presidentes do país já estudaram para ver a apresentação de volta as aulas (bem bonitinho e diferente do que acontece aqui), depois fomos em várias lojas de "amigos" dela, fomos ao Alcalde onde ela também tinha "amigos" e vários outros que encontrávamos na rua e para todos eles ela diziam que eu era sua sobrinha, filha do seu irmão que morou em São Paulo por quatro anos, aquilo me deu uma raiva, principalmente porque já estava morrendo de saudades dos meus pais e ainda ter que aceitar aquilo... no no no no no, pedi pra ela parar, porque não estava gostando daquilo.
E depois de todas as falsas apresentações, fomos onde eu realmente queria ali em Oruro, visitar as fábricas de fantasias de carnaval, já que eu não estaria ali para ver o carnaval deles. Andamos a rua tooooda onde tem várias lojas de fantasias de carnaval, mas era, SÓ lojas de fantasias de carnaval, eu esperava grandes fábricas com o pessoal trabalhando e talz como me haviam dito em Uyuni, mas não tinha nada disso e mesmo assim tive que entrar em todas as lojas e tirar foto de tudo... como se eu não fosse brasileira e nunca tivesse visto fantasias de carnaval ¬¬'








Dai fomos almoçar, o restaurante tinha boa aparência, mas no cardapio a opção era uma só, e uma que eu não queria e ela me forçava a comer, depois de tantos não não não, ela desistiu e saiu do restaurante atrás de crianças mendigas para dar meu prato, a atitude foi bonita até, mas que foi estranho ahhhh foi. rsrsrs
Siesta, ninguém faz nada na cidade, então fomos dormir no começo da noite ela mandou eu me arrumar pra sairmos de novo, íamos andar sem rumo (céus!!!) e foi o que fizemos.
No meu terceiro dia lá fomos na saída da cidade ver umas esculturas de ferro que os mineiros da cidade fizeram em homenagem aos santos do carnaval Orureño. Legais pra tirar 3 fotos e já está, mas não, ela queria que eu tirasse foto de cada uma das esculturas que por sinal era uma longe da outra e com a altitude fazia ser mais longe ainda. E a noite, fomos a catedral onde naquela noite tinha uma comemoração da data da santa padroeira deles e ela católica fervorosa com muito orgulho ficou do inicio ao fim e eu junto, com cara de bunda e chingando todos aqueles cristãos idiotas hauahaua
Na manhã seguinte ela voltava ao trabalho na escola, então eu sai com ela, mas ela foi dar aulas e eu fui ao terminal comprar minha passagem pro horário mais próximo que tivesse... mas era só a noite. Então pela manhã fui ao mirante da cidade e a uma lan house, já estava de saco cheio daquela cidade de pessoas antipáticas e racistas (esqueci de contar aqui o quão racista a senhora do casaco de leopardo é, bom, já foi) e na lan house fiquei por umas quatro horas, a tarde voltei na casa dela para arrumar minha mochila, mas ai ela queria que eu a acompanhasse a uma feira semanal que vende de tudo, de tudo MESMO!Andamos pra cima e pra baixo e ela não comprava nada, mas pechinchava por tudo, só saimos de la quando eu disse que estava com dor de cabeça e na barriga (mentira!), mas nem com a mentira a velha sossega, me levou a um escritório de advogados amigos dela para me apresentar a eles, e pior, os caras adoraram ter uma brasileira ali que falava espanhol e me pegaram pra cristo, mais de uma hora conversando sobre a política brasileira/boliviana, sobre as culturas, racismo... o papo até é do meu interesse, mas ali.. céééussss!!!
E pra completar, quando ela disse ao advogado que a única coisa que não haviamos conhecido era o museu do Sr. Patinho, o velho pegou na minha mão e me levou ao museu.. mais uma hora de blábláblá sobre alguém que eu já conhecia toooda a história.
Depois de toda a odisséia apocaliptica, voltamos pra casa peguei minha mochila e fui para o terminal... com ela atrás, claro!!!! 

A senhora do casaco de leopardo foi MUITO gentil em oferecer sua casa, uma senhora de 62 anos confiando em um forasteiro é rarissimo e não recomendado mesmo, sei que em todos os momentos ela queria que eu me sentisse e estivesse bem, mas ela infelizmente não soube ser anfitriã, dando ordens a todo momento, fazendo tudo conforme ela queria, enfim. Minha estada em Oruro não foi prazerosa, não conheci pessoas das quais vou sentir saudades, mas a experiência que tanto me irritou na época é hoje o maior texto de toda a minha viagem, porque aqui eu realmente tive história pra contar hoje. rs


E na volta a Bolivia... Uyuni

Quando cheguei em La Quiaca - AR, fronteira com a Bolivia, conheci um japonês que estava indo para Uyuni também então decidimos ir juntos, mesmo porque ele estava tendo algumas dificuldades com idioma já que não falava nada de espanhol.


No terminal da cidade de Villazon - BO, enquanto esperávamos o ônibus para Uyuni, sem percebermos furtaram a mochila do Kazu, não a backpack felizmente.  Entramos numa furada ao comprar o bilhete para Uyuni, o ônibus era um lixo, era certamente um ônibus que foi usado no Brasil nos anos 70, cheio de cholas fedidas e com caixas de pássaros no ônibus, pra ajudar parávamos em várias cidades ora para desembarque e embarque de mais cholas e hora porque o ônibus atolava.
Dessa vez, tudo na viagem a Bolivia parecia estar mais difícil, eu não queria estar lá, apesar de ter tido ótimas experiências na Bolivia, eu queria voltar para os países de pessoas desinteressadamente simpáticas, queria estar na Argentina, no Chile...

Chegamos e fomos para uma pousada nova, estavam arrumando a eletricidade de alguns quartos ainda, mas a pousada era bem confortável e limpa, ponto positivo finalmente.

A noite saimos pra Jantar e  ai procuramos a praça principal e nada, na verdade achamos sim, mas não parecia ser porque não tinha movimento algum e quando perguntei pra uns policiais na rua onde eu encontrava restaurantes simplesmente disseram que não tinha ali, só teria os famosos Broaster que eu tanto tinha nojo (restaurante barato de frango frito e batata frita). Anyway, tinhamos fome, fomos lá. Quando voltamos para a pousada conhecemos duas argentinas simpáticas que nos convidou para ir ao bar, fomos e ai encontramos vááários restaurantes turísticos, tinha que ter né!!!

No dia seguinte acordamos tarde então não deu tempo de ir para o tour do salar e tampouco tinhamos contratado ainda. Então ficamos andando na cidade morta que não tem nada pra fazer e nem pessoas simpáticas e também fomos atrás de agências para o tour. A noite encontramos um pub e lá tive minha terceira bebedeira de verdade da viagem rsrs, mas o Kazu ficou pior :P
Na manhã seguinte, fui comprar minha passagem pra Oruro (decidi na hora o próximo destino) e o Kazu para La Paz e depois seguimos para o tour de um dia no Salar de Uyuni, eu decidi um dia só porque estava muito irritada com a Bolivia, queria economizar tempo em tudo lá e como já tinha feito tudo no salar do lado chileno, pouco me importou fazer 3 dias. E o Kazu, bom, ele me acompanhou.
O Salar de Uyuni não é liiiindo, mas é imprescionante!!! Eu fui numa época ruim para se visitar porque chovia muito e muitas partes estavam alagadas e o sal não absorve a água, então teve parte do passeio que teve que ser cancelado, mas por outro lado, o alagamento causou efeitos de espelhos no salar, só pelas fotos dá pra ter uma idéia do quão interessante o lugar é.





No fim do dia voltamos e já fomos direto pegar nossos ônibus. Nessa hora algo muito estranho aconteceu, o Kazu se emocionou ao se despedir de mim e ficou com os olhinhos de japonês cheio d'água, bom aí doeu nos despedirmos, mais uma vez doeu me despedir durante a viagem!!!





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